Desenhos de frangos assados, telefones e botas de salto fino foram alguns dos primeiros grafites feitos em espaços públicos da capital paulista

O autor era Alex Vallauri.
Na época, o grafite era considerado crime pela ditadura militar. "A própria ocupação da rua já era vista como um ato político", diz o sociólogo e curador de arte urbana Sérgio Miguel Franco. E nas obras de Alex Vallauri era possível entender o lado político do grafite: Um dos seus primeiros desenhos foi o "Boca com Alfinete" (1973), uma referência à censura.
Os muros da capital foram recheados de araras e frangos, o slogan do movimento, que pediam Diretas Já no final da Ditadura.
Vallauri influenciou outros artistas a ocuparem as ruas da capital paulista e a data de sua morte - 27 de março de 1987 - é lembrada como o Dia do Grafite no Brasil.
O aniversário de 30 anos da data, em 2017, criou nos artistas a expectativa de que este seria um ano de valorização do trabalho que fazem na cidade.
No entanto, em 14 de janeiro, o novo prefeito da capital paulista, João Doria Jr. (PSDB), anunciou que seria apagados os painéis da avenida 23 de Maio, como parte do programa "São Paulo Cidade Linda".A decisão provocou críticas dos artistas e dividiu opiniões entre especialistas em arte urbana.
COMENTÁRIO: O início do grafite brasileiro como uma crítica política foi uma maneira não violenta de protesto popular. Devemos prezar pela arte brasileira e não apagar ela.
Isadora D. Vaz
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